Salvador Mallo (Antonio Banderas) é um melancólico cineasta em declínio que se vê obrigado a pensar sobre as escolhas que fez na vida quando seu passado retorna. Entre lembranças e reencontros, ele reflete sobre sua infância na década de 1960, seu processo de imigração para a Espanha, seu primeiro amor maduro e sua relação com a escrita e com o cinema.
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“Este é o meu projeto mais pessoal”, havia dito Pedro Almodóvar quando anunciou as filmagens de Dor e Glória, e não é difícil descobrir o porquê. O drama constitui uma evidente autobiografia do diretor, com Antonio Banderas interpretando um cineasta em fim de carreira, que por acaso também é homossexual, fez parte de uma banda punk paródica, dirigiu comédias populares e femininas no início da carreira. O protagonista, Salvador, constitui um alter-ego de seu criador, portando inclusive o mesmo corte de cabelo. Próximo dos 70 anos de idade, Almodóvar segue o caminho de diversos artistas confrontados à sua finitude, transformando sua própria existência, de certo modo, em obra de arte. O filme transparece uma existe uma evidente tentativa de controle do discurso. Esta seria a versão oficial, as memórias afetivas segundo aquele que as viveu, incluindo várias referências aos fatos de modo.