Num castelo isolado nos limites da floresta, um adolescente vive com a irmã enfraquecida por uma doença pulmonar, enquanto a sua mãe anda metida com um gigolo com reminiscências dos príncipes das histórias de encantar.
Carlos Conceição regressa a esse território já presente em “Boa Noite Cinderela” – o dos contos de fadas -, temperado por uma fantasia fértil e por um gosto fetichista pelas roupas e adereços, a meio caminho entre o mundo da infância (onde não falta a casa da árvore) e uma elegante subversão.
O protagonista, com o seu chapéu de coelho a lembrar “Donnie Darko”, transporta-nos também para o coelho de Lewis Carrol, que nos leva para lá dos limites da lógica, para logo se metamorfosear em Lobo Mau. No cinema de Conceição, o romantismo e os vestígios do cinema clássico – nomeadamente o melodrama na sua versão mais barroca – convivem com elementos narrativos contemporâneos e com referências queer e SM envoltas em ambientes oníricos e psicadélicos. Autor em franca ascensão, tem vindo a construir uma carreira sólida e fulgurante no cinema português contemporâneo, Conceição é já um habitual no Curtas, onde venceu o Prémio TAP para Melhor Média Metragem de Ficção em 2014, com “Boa Noite, Cinderela”. (MD)
Diretor:Carlos Conceição
Elenco:Carla Maciel, João Arrais, Júlia Palha, Matthieu Charneau